Nas asas do amor




Abre o teu coração! Estamos numa subida a alta velocidade para um lugar indefinido, numa corrida intemporal e altamente refrescante para o corpo, a alma e o coração. Abre o teu coração, eu estou pronta para desamarrar o meu de todos os medos, pronta para o envolver numa porção de esperança ilimitada e partir daqui. Estou pronta entrar na aventura mais alucinante da minha vida, esquecer o passado, não pensar no futuro e começar o presente agora. O cronómetro está no zero, pronto para que eu carregue no botão que o liga e que, consequentemente, contabilizará o meu tempo de me agarrar ao amor. Abre o teu coração, eu já te abri o meu.

O que importa se está a chover lá fora? Vou sair sem guarda-chuva protegido debaixo do braço, vou vaguear lentamente, saborear cada passo, se for preciso ainda danço à chuva. Sinto o corpo num turbilhão de emoções, sinto cada movimento que faço como se estivesse presa a fios e alguém me move-se como se eu fosse uma marioneta. Mas sabes o que é engraçado? Sinto-me tão livre, tão viva, tão eu. O que importa se lá fora está um frio descomunal? Vou sair sem o meu casaco mais quente, vou apenas agarrar-me ao que me aquece o coração: Tu.

Há muito tempo que deixei de dizer coisas com sentido, há muito tempo que tenho um sorriso parvo no rosto e outro no coração. Ainda há mais tempo que sei que tudo tem um significado mais especial e abrangente, que as cores são ainda mais vivas e fascinantes, que a Lua é ainda mais confidente do que fora outrora, que o Sol ganhou vida própria aos meus olhos, que o mar me fala com mais ternura e simplicidade, que as estrelas me guiam quando o céu se fechou num painel escuro e desinteressante. Eu sei que estou apaixonada e que isso é meio caminho andado para que veja tudo com outros olhos.

Nem tudo é um mar de rosas, e o mais engraçado é que nem sequer gosto de cor-de-rosa, mas também não vejo o mundo dessa perspectiva. Vejo o mundo como um enorme novelo de lã com imensas cores, mais cores do que aquelas que se formam no arco-íris que eu tenho por cima da minha cabeça. Hoje o tempo está assim: sol e chuva. E eu faço-lhe companhia. Se fechar os olhos sinto o meu corpo a levitar, os meus dedos a sentir o quanto são aconchegantes as cores desse arco-íris e o quanto é macio caminhar sobre ele. Este mundo aqui é mágico! Este mundo que habita dentro de nós, que bombeia 24h por dia, que se alimenta de amor, é o meu mundo mágico, onde te amo e onde me sinto completa.

Continuo na rua, sentindo a chuva a percorrer-me os caracóis, a encharcar-me por completo, enquanto tenho olhares desconfiados sobre mim. O que importa? Nada! Nunca ouviram dizer que o amor nos deixa numa enorme sensação de liberdade? Eu já, por isso só sei viver assim. Sinto as pontas dos dedos geladas, assim como a ponta do nariz, mas continuo esta valsa solitária sobre a calçada da minha rua. Sempre ouvi dizer que são precisos dois para dançar o tango, mas hoje não estou para aí virada, hoje apetece-me mesmo esta valsa delicada, suavemente delicada, que me fará vaguear de forma automática até à porta de tua casa. Já sinto o coração acelerado, imensamente acelerado, mas vou manter-me firme e convicta das minhas poucas certezas.

A trovoada também se decidiu juntar a mim, e eu que nem gosto muito dela deixo-a entrar neste mundo de fantasia, de utopias e devaneios calculados. Talvez seja hora de me agarrar a uma chávena de chocolate quente, para me aquecer ainda mais o coração. É doce! E quente! E eu gosto desta combinação, porque sinto o coração a amolecer, ao mesmo tempo que sinto cada parte do meu corpo a mudar de temperatura, a ficar mais aconchegada e preparada para mais uma aventura.

Sinto a chuva cada vez mais carregada, mas continuo num passo demorado, como se fosse o sol a queimar-me a pele. O céu começa a ficar escuro, como se a noite estivesse a chegar, quando, na realidade, o dia começou há poucas horas, mas não me amedronto, nem me esqueço do meu propósito. Agarro-me aos ponteiros invisíveis do tempo, deslizo sobre eles e brinco em função deles; deixo que o tempo me faça sentir tudo o que está à minha volta, que me mostre que tenho de ir antes que o meu tempo se esgote. E eu vou, correndo agarrada nas asas do vento, nas asas do amor.

Não abro a mão com medo de cair, apenas deixo que a brisa me faça esvoaçar os caracóis, me traga o teu perfume cravado nela, como se fosse mais uma indicação para não me perder no caminho. Vou presa a estas asas que me saem do coração, cravadas no meu peito, apenas porque não te quero deixar ir embora da minha vida, mesmo que, amorosamente, nunca tenhas feito parte dela. Não, não quero ficar sem ti, sozinha, desamparada, sem motivos para sorrir sem motivo nenhum. Quero continuar a sentir amor em tudo o que sou, quero continuar a sentir esta impulsividade a ferver-me o sangue, esta leveza, esta magia que me invade a alma sem pedir licença para tal.

Abre o teu coração! Eu continuo numa corrida contra o tempo, sem tempo para te esquecer, porque não o sei como fazer, porque me esqueci como me apaixonei, porque não o quero fazer. Quero fechar os olhos, ouvir o teu coração a chamar por mim, mesmo que isso seja só mais uma realidade inventada por mim, quero continuar a sentir-me sem jeito sempre que estou ao teu lado, quero continuar a sentir que não digo coisa com coisa, que as minhas palavras se atrapalham umas às outras e formam uma grande confusão. Quero continuar a acreditar no amor, que mesmo que não me ames tu a mim haverá alguém para o fazer. Quero continuar a acreditar em mim e que haverá sempre esperança, mesmo que a chuva seja cada vez mais forte, mesmo que o meu corpo gele, mesmo que a lua não chegue à noite, mesmo que o sol não brilhe com tanta força, porque o meu coração terá sempre mais força que todos eles para me proteger e para me guiar no meu caminho.

Vou continuar a agarrar-me às asas do vento, que me envolve pela cintura e me ajuda a chegar muito mais rapidamente ao destino, vou continuar a sentir-me suficientemente forte para lutar por mim, e por ti se tu quiseres, porque eu continuarei a estar aqui, como sempre estive, com o coração nas mãos para o entregar, para que tu o abraces e o protejas. Mas mesmo que tu não chegues, eu continuarei a dançar à chuva, porque só sei amar assim, e há muito tempo que aprendi que tenho de me amar a mim primeiro.

Estou em frente à tua casa, diante deste portão de madeira que separa todos os meus sonhos do teu sorriso. O meu coração pára juntamente com o tempo, sinto-me a repousar, o sangue a assentar, as forças a fugirem lentamente e as incertezas a voltarem, uma a uma, sem dó nem piedade de mim, que fui capaz de percorrer este caminho por ti, à chuva, ao frio, com raios a romperem o céu. Estou estática, a porta está fechada e eu nem sequer tenho coragem de tocar à campainha.

Olho à minha volta e sinto-me totalmente sozinha, fechada num espaço aberto, com todos os sonhos que construí à distância de mais um rasgo de coragem, esse mesmo rasgo de coragem que me falta. Ouço passos, ouço o meu coração a bater, ouço um barulho ensurdecedor que me desconforta, e fecho os olhos, volto a correr na direcção oposta, com as lágrimas a percorrerem-me a cara. Que parva! Volto atrás, mas desta vez sem sinais de fraqueza, mas não bato à porta nem toco à campainha. Desta vez sorrio e faço o caminho inverso, sem ressentimentos, sem culpas.

Antes de voltar, muito antes de ouvir os meus passos a calcar a chuva, disse baixinho que te amo. Num tom muito leve e quase inaudível, porque aprendi que quando queremos que as coisas soem com muito mais verdade dizemo-las baixinho, apenas para que o outro as ouça. Eu não sei se as ouviste, o mais provável é que não, mas não me incomoda assim tanto, porque o que eu sinto continuará a ser verdade para mim.

O que importa se me roubam o sol, as estrelas, a lua e até mesmo o som tranquilizante do mar? Eu irei lutar por eles, continuarei nesta subida a uma velocidade alucinante porque, como o disse sempre, não sei amar de outra maneira. Só sei amar de coração aberto, totalmente entregue à outra pessoa, mesmo que ela não o queira aceitar. Só sei amar com a chave posta na fechadura, para que a abras quando quiseres e a fechares quando achares que tem de ser. Eu abri-a para ti, fecha-a tu se quiseres.

Não tenho o coração dividido em milhares de pedaços, desfeito, desacreditado, magoado, choroso, desamparado, vazio, muito pelo contrário. Tenho o meu coração cheio de vida e cheio de força. E que importa se nunca tiver a coragem suficiente para te dizer a ti que te amo? Não importa, porque continuarem a correr esta corrida intemporal, porque continuarei a lutar contra essa falta de coragem, porque continuarei a percorrer a minha rua até chegar à tua, porque continuarei a estar diante de tua casa a dizer que te amo mais do que o que te amei no dia anterior. Mesmo que eu viva dentro do meu mundo de fantasias e ilusões, mesmo que a força e a coragem me faltem todos os dias, eu continuarei a dizer-te baixinho que tu és a razão do meu sorriso, que és o meu amor maior, que tu me roubaste o coração e a única coisa que eu quero é que o mantenhas aí contigo durante muito tempo. Não quero que o devolvas. Não quero! Não quero mesmo!

Eu não vou fechar o meu coração ao amor só porque continuo a viver um inventado por mim, onde sei que crio um monólogo constante, onde o cenário não muda e não há transição de personagens. Continuo a ser só eu e o meu coração, amparados um no outro, de mãos entrelaçadas a sonhos que apenas eu criei por te amar de mais. Como é que se ama de mais? Não sei, apenas sei que te amo com tudo de mim, que te entrego muito de mim, que te dedico anos da minha vida e que continuo a desejar que eles se repartam em muitos mais.

Mesmo que eu nunca tenha a coragem que me falta para te abrir o meu coração verdadeiramente, continuarei a amar-te, a escrever-te cartas, a desejar-te num abraço, num suspiro apaixonado, num beijo doce e terno; continuarei a pedir à lua que olhe por ti todas as noites, que o sol te aqueça todas as manhãs, que ambos te protejam, continuarei a preocupar-me, a ouvir músicas que me lembrem de ti, continuarei ver-te como aquele que conseguiu abrir a fechadura que fechava o meu coração. Mesmo que nunca venhas a saber que te amo, pelo menos saberás que me continuarás a ter sempre ao teu lado. Abri o meu coração, deixei que ele dissesse tudo o que queria dizer a teu respeito, e mesmo que tu não o ouças, eu continuarei a dançar à chuva, continuarei a deixar que as gotas me percorram a cara sem que me escondam o sorriso, continuarei a dançar esta valsa solitária, mas, ao mesmo tempo, tão nobre por ser por ti.

Continuarei agarrada nas asas do amor, oferecendo-te um abraço caloroso em tempos chuvosos e frios como o de hoje, apenas para te manter aconchegado e confortável; continuarei a limpar-te a chuva que te esconde esses olhos bonitos, grandes e ternos. Estarei lá sempre que não houver mais ninguém para te enxugar as lágrimas, para percorrer um caminho longínquo e solitário, para impedir que as sombras escondam as estrelas do céu, pois irei agarrar a tua mão e aquecer o teu coração com o meu amor, mesmo que há distância.

Tu continuas a ocupar o mesmo lugar no meu coração, não há nada que te tire de lá, porque eu continuo a fazer tudo o que puder por ti. Mesmo que os tempos mudem, mesmo que os espaços mudem, mesmo que ambos mudemos, eu nunca irei mudar o que sinto por ti. E é isso que as pessoas vão perceber um dia, assim como tu, porque se eu falo de forma apaixonada é apenas porque tu existes na minha vida e a completas, dia após dia.

Nunca conheci ninguém como tu, ninguém que me fizesse feliz, ninguém que me fizesse preocupar tanto, ninguém que me fizesse lutar pelos meus sonhos, ainda que em passos silenciosos. Não há nada que eu não fizesse por ti, porque por ti “vou até ao fim do mundo”. Mas, até lá, continuarei a dançar à chuva, nesta valsa solitária e excessivamente terna, continuarei de braços abertos, rodopiando no meio da estrada, agarrando as gotas que me caem nas palmas da mão, onde eu levo o meu coração, permanecendo no enlace que a brisa do vento entrelaçou à minha cintura. Continuarei a sentir a chuva no ondulado dos meus caracóis enquanto permaneço nas asas do amor, por só te saber amar a ti assim!

32 jasmins:

{ wendy } at: 13 de Novembro de 2011 07:29 disse...

obrigada c:

{ wendy } at: 13 de Novembro de 2011 07:57 disse...

é isso que pretendo , obrigada c:

{ inês } at: 13 de Novembro de 2011 08:07 disse...

obrigada minha querida!

{ Vanessa ൪ } at: 13 de Novembro de 2011 08:09 disse...

que lindo Andreia *-*

{ PauloSilva } at: 13 de Novembro de 2011 08:15 disse...

«Continuarei agarrada nas asas do amor, oferecendo-te um abraço caloroso em tempos chuvosos e frios como o de hoje, apenas para te manter aconchegado e confortável; continuarei a limpar-te a chuva que te esconde esses olhos bonitos, grandes e ternos.» Que lindo sentimento aqui escrito. Adorei :)

{ ' dianasilva } at: 13 de Novembro de 2011 08:29 disse...

Tens toda a razão, ainda bem que gostas-te (:

{ Rita Mendes } at: 13 de Novembro de 2011 08:35 disse...

Pois é, tens razão, mas todos sabemos que para os rapazes dar o braço a torcer é um pouco mais complicado, claro à excepções, mas raras! s;

{ Ana Sofia } at: 13 de Novembro de 2011 08:58 disse...

adorei

{ Alice } at: 13 de Novembro de 2011 09:29 disse...

Ai, dói tanto tanto :'
Muito obrigada <3

{ Catarina } at: 13 de Novembro de 2011 09:32 disse...

Espero que sim querida M. Beijocas

{ m. } at: 13 de Novembro de 2011 09:32 disse...

Exactamente! Não diria melhor, obrigada..
Tanto sentimento por aqui :)

{ ▼ Danii } at: 13 de Novembro de 2011 09:35 disse...

acredito :p
adorei assim o blog :)

{ Ana Sofia } at: 13 de Novembro de 2011 09:41 disse...

adorei :D

muito obrigada

{ Ana Sofia } at: 13 de Novembro de 2011 09:42 disse...

já agora... ofereço.te o meu selo :D se quiseres é teu _::D esta na pagina do selo oficial

{ } at: 13 de Novembro de 2011 10:00 disse...

e mesmo isso que eu penso. :)

ps: se poderes da mete gosto ou nao gosto na minha historia.

http://cheiradesabafos.blogspot.com/2011/11/55.html

{ Ziza's N.E.M. } at: 13 de Novembro de 2011 11:05 disse...

Acho que já mandei o coment mas apareceu-me uma janela diferente para adicionar um comentário x)

{ aimee rose } at: 13 de Novembro de 2011 11:13 disse...

é mesmo isso :s

{ beatrizpereira } at: 13 de Novembro de 2011 12:14 disse...

pois, mas talvez ele não esteja a fazer de propósito, tal como eu não fiz quando o afastei de mim :s

{ alexandra marques } at: 13 de Novembro de 2011 12:19 disse...

obrigada querida* ADOREI.

{ beatrizpereira } at: 13 de Novembro de 2011 12:23 disse...

talvez :s

{ beatrizpereira } at: 13 de Novembro de 2011 12:35 disse...

espero bem que sim.

{ Pendientes &amp; Louboutins } at: 13 de Novembro de 2011 12:54 disse...

adorei o positivismo do texto:)
p.s.: o blog ficou giríssimo

{ beatrizpereira } at: 13 de Novembro de 2011 13:05 disse...

sim :]

{ cátiacastro } at: 13 de Novembro de 2011 15:03 disse...

Pois. Sinceramente não sei o que fazer à minha vida :s
Se continuar onde estou deixo de ter qualquer tipo de aproveitamento e não me posso dar ao luxo de uma coisa dessas! :s

{ Nicole } at: 13 de Novembro de 2011 16:21 disse...

Mesmo, e amo cada segundo que passo com eles na catequese *.*

{ angélica } at: 14 de Novembro de 2011 01:46 disse...

mesmo fofinha :) <3

{ Johanne Durtz } at: 14 de Novembro de 2011 02:41 disse...

Gostei muito! Obrigada pelos comentários e pelo teu apoio! Muitos, muitos beijinhos! <3

{ Vanessa ൪ } at: 14 de Novembro de 2011 03:25 disse...

Mesmo, às vezes até preferia fazê-los sozinha :x

{ allmota } at: 14 de Novembro de 2011 06:23 disse...

obrigada do coração, linda, xo-xo.

{ mary ∞ } at: 14 de Novembro de 2011 14:28 disse...

pois é isso mesmo ! muito muito obrigada !

{ catarina ferreira } at: 15 de Novembro de 2011 11:34 disse...

obrigada querida (:

{ Ziza's N.E.M. } at: 16 de Novembro de 2011 05:52 disse...

Então tentado mais outra vez comentar mas desta vez em condições xD Pela forma como escreves parece que as palavras conseguem descrever mais por mil palavras o que sentes por essa pessoa. Estás exausta que esse sentimento tão forte ainda não seja reconhecido pela dita pessoa num ditado oficializado mas ao mesmo tempo não te importas, porque basta teres o teu coração balançado no dele. É bom amar incondicionalmente e aprende-se mais com o sofrimento do que propriamente com a felicidade como dá a entender Proust como diz um guionista de um filme, mas será que aguentas para sempre assim ? Às vezes esgota-se a paciência e desabafamos o que vai na alma mais tarde ou mais cedo se o amas realmente, do meu ponto de vista.

Em relação ao teu comentário, a impulsividade e o desespero calha assim na desorientação, mas depois encaixa nas roldanas, pode demorar muito tempo ou pouquíssimo.

um abraço*

 

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