Leve brisa apaixonada


















Ouço um ligeiro sussurar, um sobressalto sossegado que ronda o coração, um suspiro, uma caricia envergonhada. Ouço passos em surdina, uma respiração serena, um sorriso terno que quebra o vazio existente dentro destas imensas divisões de um lugar só. Ouço como que uma espécie de cadeado a abrir, um chave que abre a fechadura, um ligeiro estalar que dá sinal de que algo foi aberto - o meu coração. Sinto uma leve brisa a escancarar todas as janelas, como se este membro fosse uma pequena casa que guardo dentro de mim. Sinto um aroma refrescante, ligeiramente adocicado, familiar e inconfundível. Sinto algo quente a aconchegar-me a respiração, como que uma mão sobre o peito para o acalmar; é como se tivesse a tua mão sobre o meu peito. Se fechar os olhos, e deixar a alma ir por onde quiser, consigo ver um corpo alto e elegante, uma figura carinhosa e protectora, um olhar meigo e disponível. Consigo ouvir-te, sentir-te, ver-te aqui, em mim, no lado esquerdo do peito.

Habituei-me à tua não presença sempre presente. É que embora nunca estejas aqui, eu levo-te comigo para todo o lado. Não há um dia que seja que me esqueça de ti, que não te abrace mal acordo, que não te abra a porta do meu coração para entrares, te aconchegares e permaneceres. No fundo, estás sempre tão presente como quando realmente estás. E eu gosto de te ter sempre por perto, acho que o sabes melhor do que ninguém, mas mesmo que não saibas eu irei contar-te, um dia. Há muito que me habituei a não te ter de mãos entrelaçadas nas minhas, mas é como se sentisse os teus dedos a entrelaçarem os meus, de tão presente que tu estás na minha vida.

Nunca cheguei a perceber como é que te tornaste assim tão presente, e talvez nunca o venha a perceber, mas é agradável este desconhecimento. É ainda mais agradável não ter de recordar todos estes passos, pois assim não corro o risco de querer fazer o caminho no sentido contrário e deixar de te ver como mais do que aquilo que algum dia seremos juntos. Mesmo sabendo que estou a pisar um caminho escorregadio, mesmo sabendo que a qualquer momento posso cair desamparada, nunca tive medo de continuar a ver em ti um reflexo daquilo que eu aprendi a ser e daquilo que eu gostava de ser contigo, quando te arrebatasse o coração, fazendo com que também tu quisesses ficar sempre comigo. Tu arrebataste o meu, com esse teu jeito modesto e sereno. Sinto-me sempre tão tranquila contigo.

Sinto o coração leve, despreocupado, mas com um dose de loucura a ferver-lhe o sangue. Há momentos em que me apetece largar tudo e ir a correr ter contigo, não te dizer nada, apenas para te roubar um beijo e voltar a regressar ao meu refúgio. Mas até nestes momentos em que as palpitações são mais aceleradas eu sinto o coração extremamente leve e calmo. É estranho, e ao mesmo tempo reconfortante, tu fazeres com que eu sinta tanta coisa ao mesmo tempo. É engraçado como consegues que eu diga e me contradiga vezes sem conta, mas é isto que eu gosto neste amor, mesmo que ele seja só meu.

Há uma leve brisa apaixonada que me envolve num rodopio de rodas sem fim, que me faz levitar mantendo os pés no chão, que me revitaliza a esperança e elimana o cansaço do meu corpo ao fim de um dia esgotante. Há uma leve brisa apaixonada que te trás no seu enlace e te enlaça a mim. E é quando me fala ao coração que me mostra a suavidade da tua voz, só para que eu nunca me esqueça dela, só para que eu nunca deixe de conseguir imaginar como é o som das tuas palavras. Há uma leve brisa apaixonada que me aquece a alma, que acende a chama que me faz amar-te com tudo de mim, infinitas vezes ao dia, todos os dias.

Uma voz chama por mim e eu vou, há um ponto de luz que me leva a conhecer esse caminho desconhecido, mas que facilmente o descubro. Paro para ouvir o vento, estática perante essa tua presença em mim, esperando que me fales com ternura, e ouço a tua voz suave e ligeiramente rouca – como eu gosto desse teu tom de voz, que dá mesmo a sensação de aconchego. Gosto de parar para te ouvir, beber cada uma das tuas palavras, absorvendo a paixão com que falas do que te interessa. Gostava de te ouvir a falar assim de mim, mas enquanto isso não é possivel falo eu de forma apaixonada sobre ti.

Tu vais-me seduzindo aos poucos, roubando pequenos pedaços do meu coração até o conseguires juntar como se fosse um puzzle. Tu vais-me seduzindo e eu deixo-me ir, embalada nessa harmoniosa conjugação de sentimentos, ora estáveis, ora trémulos, mas sempre meus, sempre por ti. Eu deixo-me ir embalada na tua voz quente, nesse teu abraço imaculado, que me apetece abraçar tantas e tantas vezes, e umas tantas mais por todas as vezes em que nem sequer consigo contemplar esse castanho forte presente no teu olhar.

Há imensas coisas que eu não consigo explicar, uma delas é o facto de nunca ser suficiente o tempo que tenho para te ver. Embora eu te sinta todos os dias a ocupar mais uma parte do meu coração, nunca é a mesma coisa, porque tenho medo que, com o tempo, a tua imagem seja cada vez menos clara; tenho medo de começar a esquecer o aroma do teu perfume, o quão grande é o teu sorriso, o castanho dos teus olhos que combina com o teu cabelo igualmente castanho. É um medo disparatado, eu sei, porque, afinal, como é que eu me posso esquecer de alguém que amo tanto? Simplesmente não posso. Mesmo que não te volte a ver tão cedo, haverá sempre mais uma brisa do deserto que virá só para me recordar de como tu és, para me relembrar porque me apaixonei por ti e qual a razão de continuares a ser o meu grande amor.

Ouço passos dentro do meu coração e sinto um ligeiro arrepio, como quando sentimos que algo está para acontecer. Sinto sempre quando estás inquieto, mesmo que nunca me digas os motivos pelos quais também tu, que para mim serás sempre um exemplo de força, te vais a baixo. Mas eu irei continuar aqui, de braços abertos, como um porto de abrigo seguro, esperando que queiras encostar a cabeça ao meu ombro e desabafar. Nunca te esqueças que estarei sempre aqui, sempre, sem pedir nada em troca. Até porque seria demasiado injusto depois de tudo aquilo que me deste.

O meu coração está, oficialmente, escancarado, sem nenhum esconderijo que tu não conheças, e, pela primeira vez na minha vida, não tenho medo nenhum de que o meu coração se queira dar a conhecer totalmente a uma pessoa. Que nunca será uma pessoa qualquer, porque é a ti que ele se quer dar a conhecer e eu quero que tu o conheças tal como ele é. Já estava na hora de isso acontecer, acomoda-te nele e conhece-o melhor, eu prometo fazer de tudo para que ele não te desiluda e que faça com que isto dure para sempre.

Ouço um ligeiro sussurar, mais uma leve brisa apaixonada a querer entrar. Ouço as gotas da chuva a bater no parapeito da janela e só peço que não parem de cair, é sinal que estarás aqui para me proteger do frio, para sonhar acordado comigo, para deixar que o silêncio fale por nós e nos diga mais do que todas as palavras que temos de dizer um ao outro. Ou melhor, que eu tenho de te dizer a ti. Sonho demasiadas vezes acordada, talvez por isso nem sempre separe a minha realidade da realidade que me rodeia.

Em tempos li uma frase da qual nunca me irei esquecer: “o nosso amor é como o vento, eu não o vejo, mas posso senti-lo”. É assim que eu te vejo, porque mesmo que tu não estejas aqui eu irei continuar a sentir-te. Eu irei amar-te para sempre, mesmo que haja outro alguém que me faça amar de uma outra forma, pois farás sempre parte de mim, da minha história, de muitas palavras que eu gritei ao vento com medo que me ouvisses, só para não te ver partir. Eu queria ter-te aqui, sempre aqui, mas contento-me por te sentir em mim.

Abriste-me o coração e ficaste com a chave, por isso estou nas tuas mãos. É bom! Quantas vezes não me sinto na corda bamba, num rodopio que é capaz de me deixar a um passo do precipício, mas tu estás lá para agarrares a minha mão, voltares a envolver-me nessa brisa que me seduz e fazeres com que eu sonhe contigo. É bom sonhar contigo. Não me quero desprender dessa leve brisa apaixonada que me ampara o coração. Não me quero desenlaçar do laço que o destino entrelaçou. Não quero desfazer o nó que prende o meu coração ao teu. Quero-te a ti, apenas.

Ouço um beijo roubado ao pôr-do-sol, uma gargalhada que quebra o silêncio da tua ausência; ouço-te a chegar, mesmo sem nunca teres chegado a partir. Sinto uma leve brisa a remexer nas memórias, a espalha-las pela casa e a relembrar-me de ti. Sinto que tu estás ainda mais presente do que algum dia estiveste e eu continuo a convidar-te para ficares no meu coração. Continuo a ouvir palavras imaginadas por mim, a sentir realidades inventadas só para que tu continues aqui. Continuo a amar-te, tudo se resume a isso. Mas o que eu continuo a ouvir e a sentir é mesmo está leve brisa que rodopia dentro e fora de mim, que passa de mim para ti, que te trás com ela e me faz apaixonar por ti todos os dias. Há uma leve brisa apaixonada que desarma o meu coração, que o ocupa e o preenche. Há uma leve brisa apaixonada que me liberta a mente, que aquece a alma e o coração, porque se há amores que são a nossa cara este é o meu coração. Tu és o meu coração, a minha eterna leve brisa apaixonada que nunca irei esquecer. Tu, o meu amor maior, o meu coração por inteiro, fechado a sete chaves que só tu podes abrir.

18 jasmins:

{ Vanessa ൪ } at: 4 de Novembro de 2011 04:07 disse...

Que lindo *-*

{ RuteRita } at: 4 de Novembro de 2011 15:07 disse...

está lindo, perfeito !

{ Pedro Duarte } at: 4 de Novembro de 2011 18:39 disse...

Porque a brisa é tudo que é preciso para sabermos que o vento existe.
E se ela é o suficiente para te fazer feliz, que problema há.
O problema é que até a mínima brisa pode fazer voar um papagaio de papel, mas quando ela vaguear para outras praias o papagaio vai ter mesmo que cair na areia.
E, mesmo que a subida tivesse sido gradual, a queda é mesmo a pique.
Não te magoes...

{ ▼ Danii } at: 5 de Novembro de 2011 07:17 disse...

é uma grande verdade mesmo, querida!
está muito bonito, o texto :)

{ soraiacfontes } at: 5 de Novembro de 2011 07:45 disse...

obrigada fofinha :)

{ letícia ♥ } at: 5 de Novembro de 2011 07:47 disse...

obrigada querida (:

{ ' dianasilva } at: 5 de Novembro de 2011 08:11 disse...

Ainda bem que me compreendes e tens toda a razão. As pessoas nunca dão valor aquilo que nos faz feliz mesmo que não esteja connosco dia após dia de mão dada.

{ Rita Mendes } at: 5 de Novembro de 2011 08:42 disse...

Pois é querida!
Obrigada (:

{ alice } at: 5 de Novembro de 2011 09:52 disse...

Muito obrigada pelas palavras, fizeram-me bem <3

{ aimee rose } at: 5 de Novembro de 2011 10:11 disse...

tens toda a razão! e muito obrigada *.*
o teu texto está lindo, adorei :)

{ Pendientes &amp; Louboutins } at: 5 de Novembro de 2011 10:52 disse...

o texto como sempre, toca-nos. fantástico!!

beijinhos, bom fim-de-semana:D

{ ▼ Danii } at: 5 de Novembro de 2011 11:08 disse...

Acho que se quisesse larga-los agora, não conseguia :o

{ inês } at: 5 de Novembro de 2011 11:16 disse...

está lindo!

{ Rute Maia } at: 5 de Novembro de 2011 11:47 disse...

fico maravilhada por saber *.*

{ PauloSilva } at: 5 de Novembro de 2011 12:02 disse...

OMG, que lindo. Lindo texto! Magnífico!

{ catarina ferreira } at: 5 de Novembro de 2011 12:35 disse...

obrigada querida, tu também tens (:

{ mary ∞ } at: 5 de Novembro de 2011 14:25 disse...

está lindo , para variar um bocadinho não é ? muito obrigada !

{ Sofia Moreira } at: 5 de Novembro de 2011 15:10 disse...

ainda bem querida e obrigada :)

 

Copyright © 2010 • M. • Design by Dzignine